Campo atrai um terço do investimento estrangeiro
Mauro Zanatta, Fabiana Batista e Alda do Amaral Rocha, de Brasília e São Paulo
29/12/2009
Texto: A- A+
O interesse externo pelo agronegócio aumentou e se materializou no ingresso de US$ 46,9 bilhões
Quase um terço dos investimentos estrangeiros diretos (IED) feitos no país entre 2002 e 2008 se destinaram a atividades ligadas ao campo. O interesse externo pelo agronegócio aumentou e se materializou no ingresso de US$ 46,9 bilhões - 29,5% do IED total -, revela estudo inédito do Banco Central. Em 2009, apesar da crise e do arrefecimento da febre das commodities, algo entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões vieram ao país com a mesma finalidade.
A maior parte dos investimentos foi para a ampliação das operações da agroindústria fornecedora de insumos. A compra de terras avançou. Nos 11 Estados responsáveis por 90% dos registros, há 1.396 municípios com comunicado oficial de terras compradas por estrangeiros. Em 124 desses municípios, metade das áreas de médias e grandes propriedades está em nome deles, que, no total, têm a posse de 3,6 milhões de hectares nas regiões Sul e Centro-Oeste, além de São Paulo, Minas, Bahia, Pará, Tocantins e Amazonas.
Os alvos são o grande potencial das terras para produzir commodities e matérias-primas para biocombustíveis, além da própria valorização das propriedades, como mostram as recentes incorporações das usinas da Santelisa Vale pela francesa Louis Dreyfus e do grupo Moema pela americana Bunge. Na moagem da cana, a fatia estrangeira dará em 2010 um salto de 8 pontos percentuais, para atingir 20% do total.
Fundos de investimentos e de hedge são os mais ativos na compra de terras brasileiras, avalia o professor Dung Nguyen, da Universidade de Pittsburgh (EUA), um especialista no assunto. "O interesse não é tanto de ir para o Brasil produzir alimentos, mas investir em terras com a expectativa de que elas se valorizem". O estudo do BC aponta que quanto maior o IED na agroindústria, menor o valor da produção agropecuária - quando a concentração agroindustrial aumenta e o poder das empresas cresce, os ganhos dos produtores diminuem.
martes, 29 de diciembre de 2009
viernes, 25 de diciembre de 2009
FABRICAS DE PAPEL E MADEIRA
Madeira: Negócio é alternativa de suprimento às fabricas de papel e móveis
Fundos florestais estimam investir R$ 4 bi no Brasil
Marli Lima e Stella Fontes, de Curitiba e São Paulo
23/12/2009
Texto: A- A+
A indústria brasileira de celulose e papel e setores que utilizam madeira como matéria-prima veem com otimismo o ganho de musculatura de um importante aliado: fundos de investimento com foco no negócio florestal. Nos próximos anos, a atuação das chamadas "timos", do inglês Timberland Investment Management Organizations, deve crescer no Brasil, na esteira da expansão de demanda por madeira e da reconhecida competitividade do país na área florestal. Conforme projeção dessa indústria, que ainda dá os primeiros passos no país, pelo menos R$ 4 bilhões em aportes deverão vir pelas mãos de investidores institucionais nos próximos cinco anos. Recentemente, os grupos Suzano , Klabin e Irani firmaram operações com fundos dessa natureza.
Somente no Paraná, segundo a consultoria Consufor, especializada em negócios de base florestal, mais de 50 mil hectares estão em análise por fundos de investimento e há a expectativa de que negócios sejam fechados no primeiro semestre de 2010. No Brasil, estima-se que as terras em negociação somem aproximadamente 200 mil hectares de área plantada, distribuídas em oito Estados, e há projetos em andamento para novos plantios, em parceria com indústrias do setor florestal ou não.
Os nomes das empresas e fundos envolvidos são mantidos em sigilo. "Todas as timos que atuam aqui estão em busca de mais negócios e outras devem desembarcar no país", diz uma fonte que não quer ser identificada. Nederson de Almeida, sócio da Consufor, afirma que o setor madeireiro passa por um momento único, depois de enfrentar dificuldades nos últimos anos por causa de câmbio e de queda nas exportações.
Segundo ele, os fundos de pensão veem as florestas como investimento atrativo, de baixo risco e retorno seguro no longo prazo. "2010 deve ser um ano aquecido", prevê. Neste semestre, Funcef e Petros injetaram R$ 550 milhões no Florestal Fundo de Investimentos em Participações (FIP), que pertence à Florestal Investimentos Florestais. A companhia tem como sócios a J&F Participações, que controla a JBS Friboi, e o empresário Mário Celso Lopes. A meta da Florestal, diz Lopes, é ater 215 mil hectares de florestas de eucalipto em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Segundo o principal executivo e um dos fundadores da Brazil Timber, José Leal, além dos fundos de pensão, outras fundações e seguradoras também são investidoras tradicionais desse mercado no exterior. "Há um crescente interesse do investidor pessoa física com patrimônio elevado", acrescenta. A Brazil Timber, diz Leal, foi a primeira companhia de capital nacional no setor e gerencia, atualmente, US$ 230 milhões em ativos florestais, valor que deverá duplicar em 2010 e novamente duplicar em 2011. "O Brasil está na moda e as florestas estão na moda. Floresta é hoje o sonho de consumo do investidor de longo prazo", garante.
A atuação das timos é antiga nos Estados Unidos e Europa, mas relativamente nova no Brasil. As primeiras aquisições feitas aqui ocorreram no Paraná e em Santa Catarina nos últimos 10 anos. "Hoje, as oportunidades não são tão abundantes como antes e os negócios estão se expandindo para outros estados, como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul", explica Almeida. Ele acrescenta que, antes, o interesse era focado em pinus, em florestas existentes, mas fazendas de eucalipto e novos plantios passaram a ser avaliados de três anos para cá.
O caso mais recente negócio envolvendo uma timo ocorreu na semana passada, quando a Suzano Papel e Celulose acertou a venda, por R$ 311 milhões, de cerca de 50 mil hectares de terras em Minas Gerais. Inclui 13 mil hectares de eucalipto que passaram para as mãos de dois fundos estrangeiros. A companhia vendeu ativos não operacionais, que não serviriam de base para futuras expansões nem para suprir suas fábricas atuais.
De acordo com o diretor de relações com investidores, novos negócios e estratégia da Suzano, André Dorf, trata-se de uma indústria nascente no país, que vai fomentar o mercado secundário de madeira. "Tanto o setor de celulose quanto outras indústrias que usam madeira serão atendidos. O primeiro impacto é a maior disponibilidade do produto", afirma. Ele pontua que a Suzano não avalia no momento outras operações nos moldes da firmada com os fundos Mata Mineira Investimentos Florestais e Fazenda Turmalina Holdings.
Outra transação foi feita em setembro, quando a Celulose Irani informou que vendeu 3,2 mil hectares de terras com florestas de pinus em Caçador (SC), por R$ 27,5 milhões. Quem gerencia essa floresta agora é a GFP, o maior e mais antigo fundo em atuação do Brasil. Numa variação desse tipo de parceria entre indústria e investidores, a Klabin, maior fabricante brasileira de papéis para embalagens, iniciou neste semestre o plantio de florestas junto com um fundo europeu. O contrato prevê aporte inicial de US$ 20 milhões do parceiro e US$ 5 milhões dela, que também entrou com a tecnologia florestal.
Reinoldo Poernbacher, diretor-geral da Klabin, disse que contribuiu para o desenvolvimento desse modelo de negócio a queda da taxa de juros e do risco Brasil, que antes levavam os investidores estrangeiros a pedir taxas de retorno muito elevadas. Isso inviabilizava as parcerias. No longo prazo, investidores poderão responder por 20% da sua base florestal, ante 20% de fomento e 60% de área própria.
Para o analista Leonardo Alves, da Link Corretora, o modelo de parceria com fundos parece mais interessante às produtoras de papel do que para as fabricantes de celulose, que têm na área florestal um importante fator de rentabilidade. "As empresas de celulose investem pesadamente na genética das florestas porque elas são estratégicas do ponto de vista de margens", aponta. Os produtores brasileiros já contam com a vantagem do ciclo bem mais curto do eucalipto relativamente às florestas cultivadas no Hemisfério Norte.
Fundos florestais estimam investir R$ 4 bi no Brasil
Marli Lima e Stella Fontes, de Curitiba e São Paulo
23/12/2009
Texto: A- A+
A indústria brasileira de celulose e papel e setores que utilizam madeira como matéria-prima veem com otimismo o ganho de musculatura de um importante aliado: fundos de investimento com foco no negócio florestal. Nos próximos anos, a atuação das chamadas "timos", do inglês Timberland Investment Management Organizations, deve crescer no Brasil, na esteira da expansão de demanda por madeira e da reconhecida competitividade do país na área florestal. Conforme projeção dessa indústria, que ainda dá os primeiros passos no país, pelo menos R$ 4 bilhões em aportes deverão vir pelas mãos de investidores institucionais nos próximos cinco anos. Recentemente, os grupos Suzano , Klabin e Irani firmaram operações com fundos dessa natureza.
Somente no Paraná, segundo a consultoria Consufor, especializada em negócios de base florestal, mais de 50 mil hectares estão em análise por fundos de investimento e há a expectativa de que negócios sejam fechados no primeiro semestre de 2010. No Brasil, estima-se que as terras em negociação somem aproximadamente 200 mil hectares de área plantada, distribuídas em oito Estados, e há projetos em andamento para novos plantios, em parceria com indústrias do setor florestal ou não.
Os nomes das empresas e fundos envolvidos são mantidos em sigilo. "Todas as timos que atuam aqui estão em busca de mais negócios e outras devem desembarcar no país", diz uma fonte que não quer ser identificada. Nederson de Almeida, sócio da Consufor, afirma que o setor madeireiro passa por um momento único, depois de enfrentar dificuldades nos últimos anos por causa de câmbio e de queda nas exportações.
Segundo ele, os fundos de pensão veem as florestas como investimento atrativo, de baixo risco e retorno seguro no longo prazo. "2010 deve ser um ano aquecido", prevê. Neste semestre, Funcef e Petros injetaram R$ 550 milhões no Florestal Fundo de Investimentos em Participações (FIP), que pertence à Florestal Investimentos Florestais. A companhia tem como sócios a J&F Participações, que controla a JBS Friboi, e o empresário Mário Celso Lopes. A meta da Florestal, diz Lopes, é ater 215 mil hectares de florestas de eucalipto em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Segundo o principal executivo e um dos fundadores da Brazil Timber, José Leal, além dos fundos de pensão, outras fundações e seguradoras também são investidoras tradicionais desse mercado no exterior. "Há um crescente interesse do investidor pessoa física com patrimônio elevado", acrescenta. A Brazil Timber, diz Leal, foi a primeira companhia de capital nacional no setor e gerencia, atualmente, US$ 230 milhões em ativos florestais, valor que deverá duplicar em 2010 e novamente duplicar em 2011. "O Brasil está na moda e as florestas estão na moda. Floresta é hoje o sonho de consumo do investidor de longo prazo", garante.
A atuação das timos é antiga nos Estados Unidos e Europa, mas relativamente nova no Brasil. As primeiras aquisições feitas aqui ocorreram no Paraná e em Santa Catarina nos últimos 10 anos. "Hoje, as oportunidades não são tão abundantes como antes e os negócios estão se expandindo para outros estados, como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul", explica Almeida. Ele acrescenta que, antes, o interesse era focado em pinus, em florestas existentes, mas fazendas de eucalipto e novos plantios passaram a ser avaliados de três anos para cá.
O caso mais recente negócio envolvendo uma timo ocorreu na semana passada, quando a Suzano Papel e Celulose acertou a venda, por R$ 311 milhões, de cerca de 50 mil hectares de terras em Minas Gerais. Inclui 13 mil hectares de eucalipto que passaram para as mãos de dois fundos estrangeiros. A companhia vendeu ativos não operacionais, que não serviriam de base para futuras expansões nem para suprir suas fábricas atuais.
De acordo com o diretor de relações com investidores, novos negócios e estratégia da Suzano, André Dorf, trata-se de uma indústria nascente no país, que vai fomentar o mercado secundário de madeira. "Tanto o setor de celulose quanto outras indústrias que usam madeira serão atendidos. O primeiro impacto é a maior disponibilidade do produto", afirma. Ele pontua que a Suzano não avalia no momento outras operações nos moldes da firmada com os fundos Mata Mineira Investimentos Florestais e Fazenda Turmalina Holdings.
Outra transação foi feita em setembro, quando a Celulose Irani informou que vendeu 3,2 mil hectares de terras com florestas de pinus em Caçador (SC), por R$ 27,5 milhões. Quem gerencia essa floresta agora é a GFP, o maior e mais antigo fundo em atuação do Brasil. Numa variação desse tipo de parceria entre indústria e investidores, a Klabin, maior fabricante brasileira de papéis para embalagens, iniciou neste semestre o plantio de florestas junto com um fundo europeu. O contrato prevê aporte inicial de US$ 20 milhões do parceiro e US$ 5 milhões dela, que também entrou com a tecnologia florestal.
Reinoldo Poernbacher, diretor-geral da Klabin, disse que contribuiu para o desenvolvimento desse modelo de negócio a queda da taxa de juros e do risco Brasil, que antes levavam os investidores estrangeiros a pedir taxas de retorno muito elevadas. Isso inviabilizava as parcerias. No longo prazo, investidores poderão responder por 20% da sua base florestal, ante 20% de fomento e 60% de área própria.
Para o analista Leonardo Alves, da Link Corretora, o modelo de parceria com fundos parece mais interessante às produtoras de papel do que para as fabricantes de celulose, que têm na área florestal um importante fator de rentabilidade. "As empresas de celulose investem pesadamente na genética das florestas porque elas são estratégicas do ponto de vista de margens", aponta. Os produtores brasileiros já contam com a vantagem do ciclo bem mais curto do eucalipto relativamente às florestas cultivadas no Hemisfério Norte.
miércoles, 16 de diciembre de 2009
EMBRAPA VIRA MULTINACIONAL
RUMO AO EXTERIOR - Embrapa se prepara para virar multinacional em 2010 / Célia Froufe
Estimulada por Lula, empresa quer mudar estatuto para se internacionalizar.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) se prepara para aumentar sua atuação no exterior e passar também a receber royalties de seus cultivares - qualquer variedade de planta produzida por meio de técnicas de cultivo, normalmente não encontrada em estado silvestre.
Para isso, o conselho de administração da empresa aprovou na segunda-feira o texto de um anteprojeto de lei para mudar o estatuto. A intenção é que o projeto seja enviado ao Congresso no início de 2010.
"Temos urgência e vamos levar (o projeto) para o Congresso no próximo ano", disse o chefe da Assessoria Jurídica da Embrapa, Antonio Nilson Rocha.
Hoje, o estatuto da instituição não permite atuação fora do País. Mas a cada viagem internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a demanda por serviços da Embrapa aumenta, segundo Rocha.
Lula se tornou o principal divulgador da excelência do trabalho da Embrapa, que incorporou à ação diplomática com os países emergentes. "Cada vez que o presidente viaja para um país diferente, a nossa demanda cresce e nem sempre podemos responder", disse Rocha.
Apesar de ter laboratórios virtuais nos Estados Unidos, na Coreia, Holanda e França, as ações da Embrapa no exterior hoje são limitadas pelo estatuto, que prevê atuação plena apenas dentro do País.
O trabalho externo ocorre apenas por meio de intercâmbios, termos de cooperação e de transferência de tecnologia. Daí a intenção de abrir escritórios em países de interesse do Brasil e também em nações que necessitem de conhecimento técnico brasileiro, como ocorre com Gana, na África.
Sem poder fazer despesa fora do Brasil, a Embrapa depende de parceiros externos para realizar algum projeto lá fora. Os gastos de intercâmbios e de pesquisa conjunta, por exemplo, são bancados pelo país que recebe os pesquisadores brasileiros, o que acaba limitando o desenvolvimento da companhia.
VERBA REFORÇADA
As perspectivas com o novo estatuto são de gerar riquezas para o Brasil e a de estimular o crescimento da agricultura doméstica. "A principal vantagem da mudança seria a possibilidade de recebermos royalties de cultivares que temos no Brasil. A ideia é obter recursos", explicou o chefe da Assessoria Jurídica.
Ele lembra que Lula também já demonstrou que gostaria de ver a estatal atuando de forma mais efetiva no exterior. "O presidente Lula quer que a gente tenha escritório internacional, mas não podemos ir hoje além do que a lei autoriza", disse.
O orçamento da Embrapa para o próximo ano deve ficar em R$ 1,8 bilhão, R$ 300 milhões a mais que em 2009, segundo indicação feita no relatório setorial da Comissão Mista de Orçamento do Congresso. Os técnicos da empresa esperam que essa verba seja reforçada depois que for aprovada a atuação da companhia no exterior.
Para Rocha, a empreitada dará retorno. "Não temos como mensurar a quantia necessária, mas o que entendemos é que nossas necessidades iniciais se pagariam posteriormente com o recebimento dos royalties", argumentou.
Estimulada por Lula, empresa quer mudar estatuto para se internacionalizar.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) se prepara para aumentar sua atuação no exterior e passar também a receber royalties de seus cultivares - qualquer variedade de planta produzida por meio de técnicas de cultivo, normalmente não encontrada em estado silvestre.
Para isso, o conselho de administração da empresa aprovou na segunda-feira o texto de um anteprojeto de lei para mudar o estatuto. A intenção é que o projeto seja enviado ao Congresso no início de 2010.
"Temos urgência e vamos levar (o projeto) para o Congresso no próximo ano", disse o chefe da Assessoria Jurídica da Embrapa, Antonio Nilson Rocha.
Hoje, o estatuto da instituição não permite atuação fora do País. Mas a cada viagem internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a demanda por serviços da Embrapa aumenta, segundo Rocha.
Lula se tornou o principal divulgador da excelência do trabalho da Embrapa, que incorporou à ação diplomática com os países emergentes. "Cada vez que o presidente viaja para um país diferente, a nossa demanda cresce e nem sempre podemos responder", disse Rocha.
Apesar de ter laboratórios virtuais nos Estados Unidos, na Coreia, Holanda e França, as ações da Embrapa no exterior hoje são limitadas pelo estatuto, que prevê atuação plena apenas dentro do País.
O trabalho externo ocorre apenas por meio de intercâmbios, termos de cooperação e de transferência de tecnologia. Daí a intenção de abrir escritórios em países de interesse do Brasil e também em nações que necessitem de conhecimento técnico brasileiro, como ocorre com Gana, na África.
Sem poder fazer despesa fora do Brasil, a Embrapa depende de parceiros externos para realizar algum projeto lá fora. Os gastos de intercâmbios e de pesquisa conjunta, por exemplo, são bancados pelo país que recebe os pesquisadores brasileiros, o que acaba limitando o desenvolvimento da companhia.
VERBA REFORÇADA
As perspectivas com o novo estatuto são de gerar riquezas para o Brasil e a de estimular o crescimento da agricultura doméstica. "A principal vantagem da mudança seria a possibilidade de recebermos royalties de cultivares que temos no Brasil. A ideia é obter recursos", explicou o chefe da Assessoria Jurídica.
Ele lembra que Lula também já demonstrou que gostaria de ver a estatal atuando de forma mais efetiva no exterior. "O presidente Lula quer que a gente tenha escritório internacional, mas não podemos ir hoje além do que a lei autoriza", disse.
O orçamento da Embrapa para o próximo ano deve ficar em R$ 1,8 bilhão, R$ 300 milhões a mais que em 2009, segundo indicação feita no relatório setorial da Comissão Mista de Orçamento do Congresso. Os técnicos da empresa esperam que essa verba seja reforçada depois que for aprovada a atuação da companhia no exterior.
Para Rocha, a empreitada dará retorno. "Não temos como mensurar a quantia necessária, mas o que entendemos é que nossas necessidades iniciais se pagariam posteriormente com o recebimento dos royalties", argumentou.
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